Autismo Feminino: Diagnóstico Tardio e Impacto na Vida Adulta
O podcast Dose de Atipicidade, apresentado por Carla de Castro, nutricionista e defensora da neurodiversidade, aborda um tema crucial e frequentemente negligenciado: o autismo em mulheres adultas. Com o aumento do número de diagnósticos de autismo no Brasil e nos Estados Unidos, a discussão sobre o suporte e a inclusão se torna cada vez mais urgente. Este episódio, em particular, mergulha nas experiências de mulheres que receberam o diagnóstico tardiamente, explorando os desafios, as dores e as transformações que essa descoberta tardia pode trazer.
A convidada especial, Patrícia Azevedo, mãe atípica e mulher recém-diagnosticada com autismo e TDAH, compartilha sua jornada pessoal, desde as dificuldades em obter um diagnóstico para seus filhos até a revelação de sua própria neurodivergência. Sua história lança luz sobre a importância da informação, do acolhimento e da luta contra o capacitismo, oferecendo um olhar profundo sobre a realidade de muitas mulheres que passaram a vida inteira se sentindo “fora do lugar”.
A Saga do Diagnóstico: Uma Jornada Familiar
A jornada de Patrícia para o diagnóstico de seus filhos, Daniel e Pedro, ilustra os obstáculos enfrentados por muitas famílias atípicas. Desde os primeiros sinais na escola, aos dois anos de idade de Daniel, até a confirmação do diagnóstico, foram anos de busca por profissionais que realmente compreendessem as necessidades de seu filho. A frase “você está procurando pelo em ovo”, repetida por diversos médicos, demonstra a invalidação da intuição materna, um problema recorrente no processo diagnóstico.
A dificuldade em encontrar profissionais capacitados e a demora nas filas de espera para avaliações neurológicas e neuropsicológicas são barreiras significativas. A pandemia de COVID-19, com a paralisação de terapias e o fechamento de escolas, também impactou negativamente o desenvolvimento de Daniel, atrasando ainda mais o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
Autismo e TDAH: A Dupla Excepcionalidade
Após anos de busca, Daniel foi diagnosticado com TDAH combinado (hiperativo e desatento) e TEA nível 1 de suporte, além de Transtorno do Processamento Auditivo e Visual (TEPAQ). Posteriormente, o filho mais velho, Pedro, também recebeu o diagnóstico de TEA nível 1, TDAH predominantemente desatento e Transtorno de Ansiedade Generalizada. A confirmação dos diagnósticos permitiu que Patrícia buscasse os direitos de seus filhos, como acesso a terapias e adaptações escolares.
A experiência com os filhos despertou em Patrícia a suspeita de sua própria neurodivergência. Ao analisar sua história pessoal e familiar, e com o incentivo de profissionais da área, ela decidiu buscar uma avaliação, que confirmou o diagnóstico de TEA nível 1 e TDAH predominantemente desatento, além de indícios de altas habilidades. Essa descoberta tardia transformou sua perspectiva sobre sua vida e seus desafios.
Diagnóstico Tardio em Mulheres: Desafios e Superação
O diagnóstico tardio de autismo em mulheres é um tema central no podcast. Muitas mulheres autistas passam a vida inteira sem saber que são neurodivergentes, enfrentando dificuldades em diversas áreas da vida, como relacionamentos, trabalho e saúde mental. O mascaramento social, a capacidade de camuflar traços autísticos para se adequar às expectativas sociais, é uma característica comum em mulheres autistas, o que dificulta o diagnóstico.
A cobrança social sobre as mulheres, a necessidade de se encaixar em padrões de comportamento e a tendência a internalizar dificuldades emocionais contribuem para a invisibilidade do autismo feminino. A falta de informação e o preconceito em relação ao autismo também são obstáculos a serem superados. O diagnóstico tardio, no entanto, pode trazer alívio, autoconhecimento e a possibilidade de buscar apoio e estratégias para lidar com os desafios.
Principais Conclusões
- O diagnóstico tardio de autismo em mulheres é um problema real e impactante, com consequências significativas para a saúde mental e o bem-estar.
- A invalidação da intuição materna e a falta de profissionais capacitados são obstáculos no processo diagnóstico de crianças atípicas.
- O mascaramento social, a cobrança social e a falta de informação contribuem para a invisibilidade do autismo feminino.
- O diagnóstico, mesmo tardio, pode trazer alívio, autoconhecimento e a possibilidade de buscar apoio e estratégias para lidar com os desafios.
- É fundamental lutar contra o capacitismo e promover a inclusão e o respeito às pessoas neurodivergentes.
- A união da comunidade de mulheres atípicas adultas é essencial para educar a sociedade e defender seus direitos.
Conclusão
A história de Patrícia Azevedo, compartilhada no podcast Dose de Atipicidade, é um poderoso testemunho sobre a importância do diagnóstico, do acolhimento e da luta contra o preconceito. Se você se identifica com os desafios e as dores relatadas neste episódio, saiba que você não está sozinha. Busque informação, procure apoio e não hesite em lutar pelo seu direito a uma vida plena e feliz. Afinal, o autoconhecimento é o primeiro passo para a aceitação e a transformação.
Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=XjgOz03sGW8



