TDAH Tardio em Mulheres: Redescobrindo a Vida aos 50

No universo da neurodiversidade, a busca por informação de qualidade é uma constante. É com essa missão que Carla de Castro, nutricionista e criadora do podcast “Dose de Atipicidade”, convida seus ouvintes a mergulhar em temas cruciais como o autismo e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Em um episódio recente, o foco se voltou para uma realidade muitas vezes invisível: o diagnóstico tardio de TDAH em mulheres.

Carla, conhecida por sua abordagem profissional e acolhedora, destaca a importância de desmistificar e informar sobre condições que afetam milhões de brasileiros. Com dados alarmantes, como a prevalência de 2.4 milhões de autistas no Brasil (1 para cada 38 crianças), a necessidade de conteúdo fidedigno se torna ainda mais evidente. O podcast “Dose de Atipicidade” surge como um farol nesse cenário, oferecendo um espaço para discussões aprofundadas e experiências reais.

Para abordar o delicado tema do TDAH tardio, Carla recebeu uma convidada especial: Luciana Oliveira, carinhosamente conhecida como Lulu Bienal. Contadora internacional, empresária e consultora, Luciana compartilha sua jornada de autodescoberta após receber um diagnóstico de TDAH aos 50 anos, uma experiência que ressoa com muitas mulheres que, por anos, mascararam seus desafios.

A Missão da Dose de Atipicidade e a Realidade da Neurodiversidade no Brasil

O podcast “Dose de Atipicidade” nasceu com o propósito claro de democratizar o acesso a informações confiáveis sobre neurodiversidade. Em um ambiente digital saturado, onde a qualidade nem sempre é prioridade, Carla de Castro se empenha em trazer especialistas e vivências autênticas para o debate. O objetivo é oferecer suporte e clareza para pais atípicos, pacientes recém-diagnosticados e todos que buscam compreender melhor essas condições.

A relevância do tema é sublinhada pelos números. O Brasil, com 2.4 milhões de pessoas autistas, reflete uma prevalência significativa, enquanto nos Estados Unidos, os dados do CDC apontam para 1 em cada 31 indivíduos. Esses números reforçam a urgência de discussões abertas e informativas, como as promovidas pelo podcast, que já conta com um ano e meio de episódios semanais, disponíveis no site doseatipicidade.com.br.

O sucesso e a continuidade do projeto são viabilizados por parceiros que acreditam na causa. A Senz Biofarma, produtora do suplemento BioVit, e a ID Saúde, uma contabilidade especializada em clínicas e profissionais da área da saúde, são exemplos de empresas que apoiam a disseminação de conhecimento e o bem-estar da comunidade neurodiversa.

O Desafio do Diagnóstico Tardio de TDAH em Mulheres

O episódio em questão mergulha em uma realidade complexa e muitas vezes dolorosa: o diagnóstico tardio de TDAH em mulheres. Carla de Castro aponta para uma “imposição social” que leva muitas mulheres a se sobrecarregarem, tentando “dar conta de tudo” – carreira, casa, família – o que pode mascarar os sintomas do TDAH por décadas. Essa capacidade de compensação, embora admirável, atrasa a busca por ajuda e o reconhecimento da condição.

Luciana Oliveira é um exemplo vivo dessa jornada. Seu diagnóstico, há apenas três meses, abriu as portas para uma nova compreensão de si mesma e de sua vida. A medicação e o processo de redescoberta profissional e pessoal têm sido transformadores, revelando o intenso gasto energético que ela despendia para funcionar em um mundo não adaptado às suas necessidades.

A discussão sobre o TDAH em mulheres é crucial, pois os sintomas podem se manifestar de forma diferente do que é classicamente observado em meninos, levando a equívocos diagnósticos ou à completa ausência deles. A hiperatividade, por exemplo, pode ser internalizada como ansiedade ou inquietação mental, em vez de manifestações físicas.

Luciana Oliveira: Uma Jornada de Descoberta e Empoderamento

Luciana Oliveira, a Lulu Bienal, é uma figura inspiradora. Com 30 anos de experiência como contadora internacional, formada no Reino Unido e no Brasil, ela construiu uma carreira sólida e global. Sua vida, dividida entre a Inglaterra e o Brasil, a coloca em constante contato com a diversidade cultural e empresarial, uma característica que, ironicamente, se alinha à sua própria neurodiversidade.

A Revelação do Diagnóstico e o Olhar Aprimorado

A descoberta do TDAH aos 50 anos foi um divisor de águas para Luciana. Ela expressa uma mistura de tristeza por não ter descoberto antes – “minha vida teria sido muito mais fácil” – e um novo senso de clareza. Com o diagnóstico, veio um “olhar mais apurado”, permitindo-lhe reconhecer traços de TDAH até mesmo em seus clientes, evidenciando como a autocompreensão pode expandir a percepção do mundo.

Raízes de Garra e Pioneirismo

A trajetória de Luciana é profundamente marcada por uma linhagem de matriarcas revolucionárias. Sua família inclui mulheres que foram pioneiras em suas áreas: a primeira professora da USP, a primeira mulher a se formar em medicina no Brasil, uma pesquisadora no Butantan, e a fundadora da escola Wizard em Brasília. Essa herança de garra, independência e busca por conhecimento moldou sua própria ambição e espírito aventureiro.

Desde a infância, Luciana cultivou o desejo de viajar e falar inglês, participando de clubes de “pen friend” nos anos 80, uma forma analógica de networking global. Sua personalidade, descrita pelos amigos como “mãe”, “pau para toda obra” e “Dolly” (onipresente e onisciente), reflete sua alegria de viver, sociabilidade e dedicação em ajudar os outros, características que, em retrospectiva, podem ser vistas sob uma nova luz com o diagnóstico de TDAH.

Principais Conclusões

  • O podcast “Dose de Atipicidade” oferece informações de qualidade sobre neurodiversidade, com foco em autismo e TDAH.
  • A prevalência de autismo no Brasil é de 2.4 milhões de pessoas, reforçando a necessidade de conscientização e apoio.
  • O diagnóstico tardio de TDAH em mulheres é um desafio comum, muitas vezes mascarado por pressões sociais e a capacidade de compensação.
  • A experiência de Luciana Oliveira ilustra a transformação e a redescoberta que um diagnóstico tardio pode proporcionar, mesmo na vida adulta.
  • A história familiar de Luciana destaca a influência de matriarcas pioneiras em sua trajetória de sucesso e resiliência.
  • A busca por autoconhecimento e o compartilhamento de experiências são fundamentais para a comunidade neurodiversa.

Conclusão

A conversa entre Carla de Castro e Luciana Oliveira no “Dose de Atipicidade” é um lembrete poderoso da importância de buscar e compartilhar informações sobre neurodiversidade. O diagnóstico tardio de TDAH, especialmente em mulheres, não é um ponto final, mas sim o início de uma jornada de autoconhecimento, aceitação e empoderamento. A história de Luciana é um testemunho de que nunca é tarde para entender a si mesmo e viver uma vida mais autêntica e plena.

Se você se identificou com este tema ou conhece alguém que possa se beneficiar dessa discussão, compartilhe este conteúdo. A informação de qualidade é a chave para desmistificar, acolher e transformar vidas. Qual a sua experiência com o diagnóstico de TDAH ou autismo? Deixe seu comentário e junte-se a essa conversa vital.

Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=QfcufxGVhIw

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Olá, meu nome é
Carla de Castro

Sou nutricionista especializada em Saúde Mental e Transtornos do Neurodesenvolvimento, e dedico minha trajetória a transformar o cuidado com famílias atípicas. Sou pioneira no Brasil na abordagem nutricional voltada ao autismo e criei o podcast Doses de Atipicidade para ampliar esse diálogo com empatia e ciência. À frente da Clínica Sallva, acolho cada história com escuta ativa e desenvolvo estratégias nutricionais personalizadas que promovem equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.