No universo da neurodiversidade, a busca por informações de qualidade e abordagens integrativas é constante. Carla de Castro, nutricionista especialista em autismo e TDAH, idealizadora do podcast “Doses de Atipicidade”, convidou a Dra. Camila Paiva, pediatra funcional com expertise em nutrição materno-infantil e nutrologia pediátrica, para uma conversa esclarecedora sobre a importância da modulação intestinal em crianças atípicas. O bate-papo revelou como a saúde intestinal impacta diretamente o bem-estar e o desenvolvimento de crianças com autismo e outras neurodivergências.

A crescente conscientização sobre a conexão entre o intestino e o cérebro tem revolucionado a forma como abordamos a saúde infantil. A pediatria funcional, com seu olhar ampliado e integrativo, busca entender as causas subjacentes dos problemas de saúde, em vez de apenas tratar os sintomas. Neste contexto, a modulação intestinal surge como uma ferramenta poderosa para otimizar a saúde e o desenvolvimento de crianças atípicas.

A Pediatria Funcional: Um Olhar Além do Convencional

A Dra. Camila Paiva destaca que a pediatria tradicional, muitas vezes, foca no tratamento de doenças, negligenciando a importância da prevenção e da nutrição. “É normal o catarro o ano inteiro, é normal ter 12 resfriados no ano”, exemplifica, criticando a falta de investigação sobre as causas desses problemas recorrentes. A pediatria funcional, por outro lado, busca entender o paciente como um todo, considerando fatores como alimentação, estilo de vida e saúde intestinal.

A Dra. Camila enfatiza que a saúde intestinal é fundamental para o sistema imunológico e para a absorção de nutrientes essenciais. Crianças com seletividade alimentar ou transtornos de processamento sensorial, comuns em casos de autismo, podem apresentar deficiências nutricionais que impactam negativamente seu desenvolvimento. A suplementação, nesse contexto, pode ser uma ferramenta importante, mas deve ser combinada com uma alimentação equilibrada e personalizada.

O Eixo Cérebro-Intestino e a Neurodiversidade

A conexão entre o cérebro e o intestino, conhecida como eixo cérebro-intestino, desempenha um papel crucial na saúde e no comportamento. A Dra. Camila explica que o intestino possui um sistema imunológico próprio (GALT) e está conectado ao cérebro através do nervo vago. Inflamações intestinais podem gerar moléculas inflamatórias que afetam o cérebro, impactando o comportamento, o humor e as funções cognitivas.

Em crianças com autismo, a disbiose (desequilíbrio da microbiota intestinal) é mais comum, tornando a modulação intestinal ainda mais relevante. Uma dieta inadequada, rica em alimentos processados, corantes e açúcares, pode inflamar o intestino e agravar os sintomas do autismo, como estereotipias, rigidez comportamental e dificuldades de processamento sensorial. A modulação intestinal, através da dieta e da suplementação, busca restaurar o equilíbrio da microbiota e reduzir a inflamação, otimizando o ambiente para o desenvolvimento neurológico.

Estratégias para a Modulação Intestinal em Crianças Atípicas

A modulação intestinal em crianças atípicas envolve uma abordagem individualizada, que considera as necessidades e características de cada paciente. A Dra. Camila Paiva e Carla de Castro enfatizam a importância de:

  • Dieta: Priorizar alimentos frescos, integrais e nutritivos, evitando alimentos processados, ultraprocessados, ricos em açúcares, corantes e aditivos artificiais. Em alguns casos, pode ser necessário excluir temporariamente alimentos inflamatórios, como glúten e laticínios, sob orientação profissional.
  • Suplementação: Avaliar as deficiências nutricionais e suplementar vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais, como ferro, zinco, selênio, B12 e metilfolato. O uso de probióticos também pode ser benéfico para restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal.
  • Acompanhamento profissional: Contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar, incluindo pediatra funcional, nutricionista, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e outros profissionais, para garantir um tratamento abrangente e personalizado.

É importante ressaltar que a modulação intestinal não é uma solução mágica, mas sim uma ferramenta complementar que pode otimizar os resultados das terapias e melhorar a qualidade de vida das crianças atípicas. A adesão à dieta e à suplementação requer o envolvimento e o comprometimento da família, que deve estar disposta a fazer mudanças no estilo de vida e a seguir as orientações dos profissionais de saúde.

Principais Conclusões

  • A pediatria funcional oferece um olhar integrativo e preventivo para a saúde infantil, buscando as causas subjacentes dos problemas.
  • O eixo cérebro-intestino desempenha um papel crucial na saúde e no comportamento, especialmente em crianças com autismo.
  • A modulação intestinal, através da dieta e da suplementação, pode reduzir a inflamação e otimizar o ambiente para o desenvolvimento neurológico.
  • Uma dieta rica em alimentos frescos, integrais e nutritivos é fundamental para a saúde intestinal e o bem-estar geral.
  • O acompanhamento profissional é essencial para garantir um tratamento individualizado e eficaz.
  • A adesão à dieta e à suplementação requer o envolvimento e o comprometimento da família.

Conclusão

A saúde intestinal é um pilar fundamental para o bem-estar e o desenvolvimento de crianças atípicas. Ao adotar uma abordagem integrativa e personalizada, que considera a conexão entre o intestino e o cérebro, é possível otimizar os resultados das terapias e melhorar a qualidade de vida dessas crianças. Que tal começar hoje mesmo a cuidar da saúde intestinal do seu filho, buscando orientação profissional e adotando hábitos alimentares mais saudáveis?

Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=KD4Z-1c5-x0

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Olá, meu nome é
Carla de Castro

Sou nutricionista especializada em Saúde Mental e Transtornos do Neurodesenvolvimento, e dedico minha trajetória a transformar o cuidado com famílias atípicas. Sou pioneira no Brasil na abordagem nutricional voltada ao autismo e criei o podcast Doses de Atipicidade para ampliar esse diálogo com empatia e ciência. À frente da Clínica Sallva, acolho cada história com escuta ativa e desenvolvo estratégias nutricionais personalizadas que promovem equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.