No podcast “Dose de Atipicidade,” Carla de Castro, nutricionista especialista em autismo e TDAH, recebe Cibelle Lopes, mãe atípica e mentora de outras mães atípicas, para uma conversa franca e reveladora sobre os desafios e conquistas da maternidade atípica. O episódio aborda a importância da inclusão, o impacto do diagnóstico (tanto na infância quanto na vida adulta), e a necessidade de apoio para as famílias atípicas. A conversa destaca a crescente prevalência do autismo no Brasil e no mundo, e a urgência de adaptações em diversos ambientes para garantir a inclusão e o bem-estar das pessoas neurodivergentes.
Cibelle compartilha sua jornada pessoal, marcada por perdas gestacionais, prematuridade dos filhos, e o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em um de seus gêmeos, Benjamin. Ela também revela que seu filho mais velho, Samuel, está em investigação para autismo, após um diagnóstico inicial de altas habilidades. A experiência de Cibelle ressalta a importância da observação atenta dos pais e da busca por profissionais qualificados para um diagnóstico preciso e intervenção precoce.
A Realidade da Maternidade Atípica e o Luto Parental
Cibelle descreve o impacto do diagnóstico de TEA em sua vida e na dinâmica familiar. Ela menciona as fases do luto que muitas mães atípicas vivenciam, e a importância de buscar apoio para superar esses momentos difíceis. A mentora compartilha que passou cinco anos “na caverna”, lidando com as dificuldades e buscando entender o universo do autismo. A conversa destaca a necessidade de desmistificar o diagnóstico e de promover a aceitação e o apoio mútuo entre as famílias.
Carla de Castro complementa, ressaltando que o luto parental está relacionado à expectativa de um filho “perfeito” e saudável. Ela enfatiza que o diagnóstico não muda a essência da criança, mas sim direciona o tratamento e as intervenções necessárias para o seu desenvolvimento. A nutricionista reforça a importância de iniciar a estimulação precoce o mais cedo possível, aproveitando a plasticidade neural da criança e facilitando o processo de aprendizado.
Diagnóstico Tardio e o Impacto na Vida Adulta
A conversa aborda a questão do diagnóstico tardio de autismo em adultos, especialmente em mulheres. Carla explica que muitas mulheres mascaram os sintomas ao longo da vida, o que dificulta o diagnóstico e pode levar a comorbidades como ansiedade e depressão. Cibelle compartilha experiências de amigas que receberam o diagnóstico de autismo junto com seus filhos, e como isso as ajudou a entender suas próprias dificuldades e comportamentos.
Carla enfatiza a importância de ampliar a discussão sobre o autismo em adultos, e de oferecer suporte e tratamento adequados para essa população. Ela destaca a escassez de profissionais especializados em autismo adulto e a necessidade de investir em formação e pesquisa nessa área. A nutricionista também menciona a importância de considerar as questões sensoriais e de acessibilidade em diversos ambientes, para garantir o bem-estar das pessoas neurodivergentes.
Inclusão e Acessibilidade: Um Compromisso de Todos
Cibelle compartilha sua experiência em eventos voltados para famílias atípicas, e a decepção ao constatar a falta de acessibilidade e inclusão em muitos deles. Ela destaca a importância da autodescrição, da adaptação de ambientes e da conscientização da sociedade sobre as necessidades das pessoas com deficiência. A mentora menciona o “Espaço do Bem,” um projeto que visa promover a inclusão e o acolhimento das famílias atípicas, oferecendo atividades e informações relevantes.
Carla reforça a importância de envolver toda a sociedade na promoção da inclusão, e de superar o preconceito e a falta de conhecimento. Ela destaca a necessidade de adaptar igrejas, restaurantes, shows e outros espaços públicos para garantir a acessibilidade e o bem-estar de todos. A nutricionista enfatiza que a inclusão não é apenas uma questão de cumprir a lei, mas sim de promover uma sociedade mais justa e equitativa para todos.
A Nutrição como Ferramenta de Tratamento no Autismo
Carla de Castro aproveita o espaço para ressaltar a importância da nutrição no tratamento do autismo. Ela lamenta a ausência de discussões sobre alimentação e suplementação em eventos sobre o tema, e defende a necessidade de um tratamento nutricional digno para crianças, adolescentes e adultos autistas. A nutricionista explica que alterações gastrointestinais são comuns em pessoas com TEA, e que o tratamento adequado pode melhorar a atenção, o comportamento e a qualidade de vida.
Carla menciona seu trabalho como professora e coordenadora de um curso de pós-graduação em autismo, TDAH e T21, e sua missão de formar mais profissionais capacitados para atuar nessa área. Ela enfatiza a importância de uma abordagem individualizada e multidisciplinar, que considere as necessidades específicas de cada paciente. A nutricionista também destaca a importância de conscientizar os pais sobre a importância de uma alimentação saudável e equilibrada para o desenvolvimento de seus filhos.
Principais Conclusões
- A maternidade atípica apresenta desafios únicos, mas também oportunidades de crescimento e aprendizado.
- O diagnóstico precoce de autismo é fundamental para garantir o acesso a intervenções e tratamentos adequados.
- A inclusão e a acessibilidade são compromissos de toda a sociedade, e exigem adaptações em diversos ambientes.
- A nutrição desempenha um papel importante no tratamento do autismo, e pode melhorar a qualidade de vida das pessoas com TEA.
- O apoio mútuo entre as famílias atípicas é essencial para superar os desafios e promover a aceitação.
- O diagnóstico tardio em adultos, especialmente em mulheres, é uma realidade que precisa ser mais discutida e abordada.
Conclusão
A conversa entre Carla de Castro e Cibelle Lopes oferece uma visão abrangente e inspiradora sobre a maternidade atípica, a inclusão e a neurodiversidade. Ao compartilhar suas experiências e conhecimentos, elas convidam a sociedade a refletir sobre a importância de promover um mundo mais justo e acolhedor para todos. Que este podcast inspire você a buscar mais informações, a apoiar as famílias atípicas e a fazer a sua parte na construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente.
Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=WRRSinSDB8w



