No universo da neurodiversidade, o autismo se apresenta de diversas formas, cada uma com suas particularidades e desafios. Um desses desafios é o autismo regressivo, uma condição que intriga pais e profissionais da saúde. Mas o que exatamente é o autismo regressivo e como a nutrição e a intervenção precoce podem fazer a diferença no desenvolvimento da criança?
Para desmistificar esse tema complexo, Carla de Castro, nutricionista especialista em autismo e TDAH, recebeu a Dra. Andreia Torres, doutora em Nutrição Clínica com foco em autismo, TDAH e T21, no podcast Doses de Atipicidade. Juntas, elas exploraram os sinais, as características e as estratégias nutricionais que podem auxiliar no tratamento do autismo regressivo, oferecendo informações valiosas para famílias e profissionais da área.
O Que é Autismo Regressivo?
O autismo regressivo é caracterizado pela perda de habilidades já adquiridas pela criança, como a fala, a interação social e as habilidades motoras. Diferente do autismo clássico, onde os sinais de atraso no desenvolvimento são evidentes desde o início, no autismo regressivo a criança apresenta um desenvolvimento aparentemente típico antes de começar a perder essas habilidades. Essa regressão geralmente ocorre entre os 18 e 24 meses de idade, o que pode gerar grande preocupação e angústia nos pais.
A Dra. Andreia Torres ressalta que, apesar de ser um fenômeno reconhecido, não existe um consenso sobre os critérios diagnósticos para o autismo regressivo. Isso significa que cada estudo e profissional pode utilizar diferentes métodos de avaliação, o que dificulta a comparação e a generalização dos resultados. No entanto, os estudos apontam que o autismo regressivo compreende cerca de 20 a 30% dos casos de autismo, o que demonstra a sua relevância dentro do espectro.
Sinais e Sintomas do Autismo Regressivo
Identificar os sinais de autismo regressivo é crucial para iniciar a intervenção o mais cedo possível. A perda de habilidades é o principal indicativo, e pode se manifestar de diversas formas:
- Perda da fala: A criança deixa de falar palavras que já conhecia ou diminui a frequência da comunicação verbal.
- Diminuição da interação social: A criança perde o interesse em brincar com outras crianças ou interagir com os pais.
- Perda de habilidades motoras: A criança deixa de realizar movimentos que já dominava, como acenar ou pegar objetos.
- Diminuição do contato visual: A criança evita o contato visual ou olha menos frequentemente para as pessoas.
É importante ressaltar que qualquer regressão no desenvolvimento infantil é considerada uma emergência e deve ser investigada por um profissional de saúde. Mesmo que não seja autismo regressivo, a perda de habilidades pode indicar outras condições que necessitam de tratamento.
A Importância da Intervenção Precoce
A intervenção precoce é fundamental para minimizar os impactos do autismo regressivo no desenvolvimento da criança. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maiores são as chances de recuperar as habilidades perdidas e promover o desenvolvimento de novas habilidades. As terapias mais comuns incluem:
- Fonoaudiologia: Para estimular a comunicação e a linguagem.
- Terapia ocupacional: Para desenvolver habilidades motoras e sensoriais.
- Análise do Comportamento Aplicada (ABA): Para modificar comportamentos e ensinar novas habilidades.
- Nutrição: Para otimizar a saúde intestinal e cerebral.
Carla de Castro enfatiza que não é necessário esperar o diagnóstico para iniciar as terapias. Se a criança apresenta sinais de atraso no desenvolvimento, é importante procurar um profissional para avaliar a situação e iniciar a intervenção o mais rápido possível.
O Papel da Nutrição no Autismo Regressivo
A nutrição desempenha um papel crucial no tratamento do autismo regressivo, pois pode influenciar a saúde intestinal, a função cerebral e o sistema imunológico. A Dra. Andreia Torres destaca que cada vez mais a ciência busca identificar quais crianças se beneficiarão mais de cada estratégia nutricional.
A saúde intestinal é um ponto chave, já que muitos indivíduos com autismo apresentam alterações na microbiota intestinal, o que pode levar a inflamação e afetar o cérebro. Uma dieta equilibrada, rica em fibras, frutas e vegetais, pode ajudar a modular a microbiota e reduzir a inflamação.
Além disso, a suplementação de nutrientes como ômega-3, vitamina D, B9, B12, zinco e magnésio pode ser benéfica para otimizar a função cerebral e o sistema imunológico. No entanto, é fundamental que a suplementação seja individualizada e acompanhada por um profissional de saúde, para evitar excessos e garantir a segurança da criança. A Dra. Andreia Torres ressalta a importância de realizar exames para identificar deficiências nutricionais e direcionar a suplementação de forma mais eficaz.
Principais Conclusões
- O autismo regressivo é caracterizado pela perda de habilidades já adquiridas pela criança.
- A identificação precoce dos sinais é crucial para iniciar a intervenção o mais cedo possível.
- A intervenção precoce, com terapias como fonoaudiologia, terapia ocupacional e ABA, é fundamental para minimizar os impactos do autismo regressivo.
- A nutrição desempenha um papel crucial no tratamento, influenciando a saúde intestinal, a função cerebral e o sistema imunológico.
- A suplementação de nutrientes como ômega-3, vitamina D, zinco e magnésio pode ser benéfica, mas deve ser individualizada e acompanhada por um profissional de saúde.
- A modulação intestinal através de uma dieta rica em fibras é essencial para reduzir a inflamação e otimizar a saúde cerebral.
Conclusão
O autismo regressivo é um desafio complexo, mas com a informação correta, o apoio adequado e a intervenção precoce, é possível promover o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. A nutrição, em particular, desempenha um papel fundamental nesse processo, auxiliando na modulação intestinal, na otimização da função cerebral e no fortalecimento do sistema imunológico. Se você suspeita que seu filho possa ter autismo regressivo, procure um profissional de saúde para uma avaliação e um plano de tratamento individualizado. Não espere, a intervenção precoce faz toda a diferença!
Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Ab6RgQJTTlU



