Autismo Feminino: Desafios e Descobertas do Diagnóstico Tardio

No podcast “Dose de Atipicidade,” Carla de Castro, nutricionista especialista em autismo e TDAH, recebe Will Celie Machado, farmacêutica recém-diagnosticada com autismo, TDAH e altas habilidades. Juntas, elas exploram a complexidade do autismo feminino e os desafios enfrentados por mulheres que recebem o diagnóstico tardiamente. A conversa revela a jornada de autodescoberta, a importância do autoconhecimento e a busca por uma vida mais autêntica e plena.

O diagnóstico tardio em mulheres autistas é um tema crucial, muitas vezes negligenciado. A capacidade de mascaramento social, a busca por se encaixar em padrões e a invalidação do ambiente podem atrasar a identificação do TEA (Transtorno do Espectro Autista). A história de Will Celie Machado oferece uma perspectiva valiosa sobre os desafios e as descobertas que acompanham esse processo.

A Jornada da Desconfiança: Quando a Diferença se Torna Inquietação

Will Celie Machado descreve sua jornada como uma “inquietação” constante. Desde cedo, percebeu-se diferente, mas lidou com isso ao longo da vida. No entanto, nos últimos quatro anos, essa diferença começou a impactar sua rotina, levando-a a considerar a busca por um diagnóstico. A decisão não foi impulsiva, mas sim resultado de um processo de autoconhecimento e da necessidade de entender seu funcionamento.

Apesar da crescente divulgação de informações sobre neurodiversidade, Will enfrentou a descrença de pessoas próximas, que minimizavam suas suspeitas. A comparação com os sintomas clássicos do autismo, frequentemente associados a crianças, também gerou dúvidas. No entanto, a persistência da ansiedade e o desconforto de não se encaixar a motivaram a seguir em frente com a avaliação neuropsicológica.

O Mascaramento Social e a Busca pela Aceitação

Um dos principais obstáculos para o diagnóstico tardio em mulheres é o mascaramento social. Will Celie Machado relata como se adaptou a comportamentos esperados, como o contato visual, para evitar chamar a atenção. Essa adaptação, embora útil para a sobrevivência social, exigiu um grande esforço mental e emocional, gerando cansaço e ansiedade.

A busca pela aceitação e o medo do estigma também contribuíram para o mascaramento. A pressão para se enquadrar em padrões de normalidade e a invalidação das próprias experiências podem levar as mulheres autistas a negar suas necessidades e a se sentirem inadequadas. O diagnóstico tardio, nesse contexto, representa um passo importante para a autoaceitação e a busca por uma vida mais autêntica.

O Diagnóstico como um Recomeço: Autoconhecimento e Aceitação

O diagnóstico de TEA, TDAH, depressão atípica e altas habilidades foi um choque inicial para Will Celie Machado. A sensação de ser uma impostora e a dúvida sobre a validade do diagnóstico foram superadas pelo processo de autoconhecimento proporcionado pela avaliação neuropsicológica. Cada teste e cada conversa com a neuropsicóloga Adriana Reis revelaram aspectos de sua personalidade e de seu funcionamento que antes eram incompreendidos.

A partir do diagnóstico, Will iniciou uma jornada de aceitação e de busca por ferramentas para lidar com as dificuldades e potencializar suas habilidades. A terapia se tornou um espaço para entender suas emoções, desenvolver estratégias de enfrentamento e construir uma vida mais plena e significativa. O diagnóstico, portanto, não representou um fim, mas sim um recomeço.

A Importância da Informação e da Comunidade

Will Celie Machado destaca a importância da divulgação de informações sobre autismo feminino e da criação de espaços de acolhimento e de troca de experiências. Ao compartilhar sua história, ela espera inspirar outras mulheres a buscar o diagnóstico e a encontrar o apoio necessário para viverem suas vidas com autenticidade e bem-estar.

A comunidade online e os grupos de apoio podem ser importantes fontes de informação, de acolhimento e de identificação. Ao se conectar com outras pessoas que compartilham experiências semelhantes, as mulheres autistas podem se sentir menos sozinhas e encontrar estratégias para lidar com os desafios do dia a dia. A informação e a comunidade são, portanto, ferramentas essenciais para a autonomia e o empoderamento.

Principais Conclusões

  • O diagnóstico tardio de autismo em mulheres é um desafio complexo, influenciado pelo mascaramento social e pela invalidação do ambiente.
  • O autoconhecimento e a aceitação são fundamentais para a construção de uma vida mais autêntica e plena.
  • A terapia e o apoio da comunidade são importantes ferramentas para lidar com as dificuldades e potencializar as habilidades.
  • A divulgação de informações sobre autismo feminino é essencial para aumentar a conscientização e reduzir o estigma.
  • É fundamental que as mulheres neurodivergentes aprendam a identificar e a se proteger de relacionamentos abusivos.

Conclusão

A história de Will Celie Machado é um exemplo inspirador de autodescoberta e de superação. Ao compartilhar sua jornada, ela nos convida a refletir sobre a importância da neurodiversidade e a necessidade de construir uma sociedade mais inclusiva e acolhedora. Que essa conversa possa inspirar outras mulheres a buscar o autoconhecimento e a viverem suas vidas com autenticidade e bem-estar. Qual será o próximo passo na sua jornada de autodescoberta?

Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=N4_-zBP8llg

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Olá, meu nome é
Carla de Castro

Sou nutricionista especializada em Saúde Mental e Transtornos do Neurodesenvolvimento, e dedico minha trajetória a transformar o cuidado com famílias atípicas. Sou pioneira no Brasil na abordagem nutricional voltada ao autismo e criei o podcast Doses de Atipicidade para ampliar esse diálogo com empatia e ciência. À frente da Clínica Sallva, acolho cada história com escuta ativa e desenvolvo estratégias nutricionais personalizadas que promovem equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.