Psicoeducação e Neurodesenvolvimento: Guia para Famílias Atípicas

No universo dos transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo e o TDAH, a jornada das famílias atípicas é repleta de desafios e descobertas. A falta de informação de qualidade pode gerar angústia e incertezas, tornando essencial o acesso a conteúdos relevantes e confiáveis. O podcast “Doses de Atipicidade”, apresentado por Carla de Castro, nutricionista especialista em autismo e TDAH, busca justamente suprir essa necessidade, trazendo luz a temas complexos com a participação de profissionais renomados.

Em um episódio recente, Carla de Castro recebeu Keli Rodrigues, neuropsicóloga, autora e organizadora do livro “Psicoeducação”, para uma conversa esclarecedora sobre a importância da psicoeducação nos transtornos do neurodesenvolvimento. A discussão abordou desde a atuação da nutrição e da neuropsicologia até a necessidade de um acompanhamento multidisciplinar e individualizado. O objetivo principal? Empoderar famílias e profissionais com conhecimento para promover o bem-estar e o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes atípicos.

O Que é Psicoeducação e Por Que é Tão Importante?

Keli Rodrigues define psicoeducação como o processo de fornecer informações e aprendizado sobre aspectos psicológicos, emocionais e comportamentais, tornando a psicologia acessível a todos. Carla de Castro complementa, ressaltando que a psicoeducação não se restringe ao consultório de psicologia, mas permeia todas as áreas do cuidado, inclusive a nutrição. Ao explicar o que é o transtorno, suas comorbidades e o impacto da alimentação, a nutricionista já está psicoeducando seus pacientes e suas famílias.

A psicoeducação é fundamental para combater o preconceito e a discriminação, oferecendo informações de qualidade que ajudam as pessoas a entenderem melhor os transtornos do neurodesenvolvimento. Além disso, ela empodera as famílias, permitindo que tomem decisões mais informadas sobre o tratamento e o cuidado de seus filhos. A neuropsicóloga Keli Rodrigues enfatiza que a psicoeducação deve ser acessível a todos, independentemente de sua condição socioeconômica, e que a produção de livros e conteúdos informativos é uma forma de democratizar o conhecimento.

O Papel da Neuropsicologia na Avaliação e no Tratamento

A neuropsicologia desempenha um papel crucial na avaliação e no tratamento dos transtornos do neurodesenvolvimento. Através de testes e observações clínicas, o neuropsicólogo busca entender o funcionamento cognitivo e comportamental da criança ou do adolescente, identificando padrões de funcionamento e áreas de dificuldade. Essa avaliação é fundamental para o diagnóstico e para o planejamento de um tratamento individualizado.

Keli Rodrigues explica que a avaliação neuropsicológica geralmente começa a partir dos 3 anos de idade, mas uma avaliação mais completa é realizada a partir dos 6 anos, quando a criança já está alfabetizada. O laudo neuropsicológico não é apenas um diagnóstico, mas sim um direcionamento para o tratamento, indicando as áreas que precisam ser trabalhadas e as estratégias mais eficazes. É importante ressaltar que o diagnóstico é clínico e observacional, não existindo um exame de sangue ou de imagem que determine o autismo ou o TDAH.

A Importância do Acompanhamento Multidisciplinar e Individualizado

Tanto Carla de Castro quanto Keli Rodrigues enfatizam a importância do acompanhamento multidisciplinar e individualizado nos transtornos do neurodesenvolvimento. Cada criança ou adolescente é único, com suas próprias necessidades e características, e o tratamento deve ser adaptado a essas particularidades. Uma equipe multidisciplinar, composta por nutricionista, neuropsicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e outros profissionais, pode oferecer um cuidado mais completo e eficaz.

Keli Rodrigues compartilha a experiência do Complexo de Saúde Vanda Horta, onde as crianças são atendidas em sistema de circuito, passando por diferentes profissionais em um período de duas horas. Essa abordagem permite que a criança seja vista por diferentes perspectivas e receba estímulos variados, tornando o tratamento mais dinâmico e interessante. Além disso, o acompanhamento em grupo, com outras crianças, favorece a socialização e a interação, promovendo um desenvolvimento mais saudável.

Principais Conclusões

  • A psicoeducação é fundamental para combater o preconceito e a discriminação, oferecendo informações de qualidade sobre os transtornos do neurodesenvolvimento.
  • A neuropsicologia desempenha um papel crucial na avaliação e no tratamento, identificando padrões de funcionamento e áreas de dificuldade.
  • O acompanhamento multidisciplinar e individualizado é essencial para atender às necessidades específicas de cada criança ou adolescente.
  • O laudo neuropsicológico não é apenas um diagnóstico, mas sim um direcionamento para o tratamento.
  • É importante buscar informações de qualidade, em fontes confiáveis, para evitar a sobrecarga de informações e a desinformação.
  • O tratamento deve ter um plano terapêutico individualizado, com objetivos claros e acompanhamento regular.

Conclusão

A psicoeducação nos transtornos do neurodesenvolvimento é um processo contínuo e fundamental, que envolve a disseminação de informações de qualidade, o acompanhamento multidisciplinar e individualizado e o empoderamento das famílias. Ao oferecer conhecimento e suporte, podemos promover o bem-estar e o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes atípicos, construindo uma sociedade mais inclusiva e acolhedora. Que tal começar a buscar informações de qualidade hoje mesmo e fazer a diferença na vida de alguém?

Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=O0Uzp546dD4

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Olá, meu nome é
Carla de Castro

Sou nutricionista especializada em Saúde Mental e Transtornos do Neurodesenvolvimento, e dedico minha trajetória a transformar o cuidado com famílias atípicas. Sou pioneira no Brasil na abordagem nutricional voltada ao autismo e criei o podcast Doses de Atipicidade para ampliar esse diálogo com empatia e ciência. À frente da Clínica Sallva, acolho cada história com escuta ativa e desenvolvo estratégias nutricionais personalizadas que promovem equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.