A nutrição desempenha um papel crucial no desenvolvimento e bem-estar de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Frequentemente negligenciada nas abordagens terapêuticas, a nutrição, quando integrada a uma equipe multidisciplinar, pode potencializar os resultados e melhorar significativamente a qualidade de vida. Carla de Castro, nutricionista especialista em Autismo e TDAH, abordou essa temática no Congresso “Autismos em Foco”, promovido pelo MAB – Mapa Autismo Brasil, destacando a importância de considerar a individualidade, o acolhimento e o respeito nas intervenções nutricionais.
A palestra de Carla de Castro ressaltou a necessidade de reconhecer a nutrição como um pilar fundamental no tratamento do autismo, equiparando sua importância à terapia ocupacional, fonoaudiologia e outras intervenções. A inclusão da nutrição na mesa de interdisciplinaridade não é apenas desejável, mas essencial para garantir um cuidado integral e personalizado.
O Papel Fundamental da Nutrição no Autismo
Carla de Castro enfatiza que o papel da nutrição vai além de simplesmente alimentar. Trata-se de ajudar crianças, adolescentes e adultos com TEA a alcançar seu máximo potencial, considerando que “nós somos aquilo que comemos e mais do que isso, somos o que absorvemos do que comemos.” A especialista destaca que a nutrição não pode ser ignorada, pois influencia diretamente o funcionamento do organismo, incluindo o sistema nervoso central.
A individualidade é um ponto crucial. “Não existe dieta para o autismo”, afirma Carla. Cada indivíduo é único, e a abordagem nutricional deve ser personalizada, levando em consideração suas necessidades específicas, preferências alimentares e condições de saúde. A nutrição no autismo não se resume a emagrecimento ou dietas restritivas, mas sim a promover uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades de cada um.
A Conexão Intestino-Cérebro e as Alterações Gastrointestinais
A ciência já comprovou que pacientes com TEA têm uma predisposição maior a alterações gastrointestinais. Carla de Castro aponta que eles têm, no mínimo, quatro vezes mais chances de apresentar problemas como refluxo gastroesofágico, azia, má digestão, gases, distensão abdominal e má formação de fezes. Essas queixas gastrointestinais podem impactar negativamente a eficácia das terapias, pois a dor e o desconforto prejudicam a concentração e o bem-estar do paciente.
O intestino desempenha um papel fundamental na produção de neurotransmissores que regulam as emoções e o comportamento. Para produzir neurotransmissores de qualidade, é necessário um intestino saudável e uma alimentação rica em aminoácidos, vitaminas e minerais. Quando o intestino está alterado, a produção de neurotransmissores é comprometida, o que pode agravar os sintomas do autismo.
Seletividade Alimentar, Glúten e Lácteos: Desafios e Soluções
A seletividade alimentar é uma característica comum no autismo, mas Carla de Castro ressalta que não é exclusiva do TEA. A seletividade pode ser causada por diversos fatores, como deficiências nutricionais, alterações gastrointestinais, introdução alimentar inadequada e alergias alimentares.
A exclusão de glúten e lácteos da dieta tem sido objeto de debate, mas Carla de Castro afirma que muitos de seus pacientes apresentam melhora significativa ao adotar essa abordagem. Ela explica que pacientes autistas frequentemente têm dificuldade em digerir proteínas grandes como a caseína (presente no leite) e o glúten (presente no trigo), devido à baixa produção de enzimas digestivas e ácido clorídrico. A exclusão desses alimentos, feita com orientação profissional e respeito à individualidade do paciente, pode melhorar o ambiente intestinal, a absorção de nutrientes e, consequentemente, o comportamento e o desempenho cognitivo.
Principais Conclusões
- A nutrição é um pilar fundamental no tratamento do autismo e deve ser integrada a uma equipe multidisciplinar.
- Não existe dieta para o autismo; a abordagem nutricional deve ser individualizada e respeitar as necessidades específicas de cada paciente.
- Alterações gastrointestinais são comuns no TEA e podem impactar negativamente a eficácia das terapias.
- A seletividade alimentar é um desafio frequente, mas pode ser abordada com estratégias adequadas e orientação profissional.
- A exclusão de glúten e lácteos pode trazer benefícios para alguns pacientes com TEA, mas deve ser feita com acompanhamento profissional.
- A suplementação nutricional pode corrigir deficiências e melhorar os processos metabólicos.
Conclusão
A nutrição desempenha um papel vital no tratamento do autismo, influenciando o desenvolvimento, o comportamento e o bem-estar geral. Ao integrar a nutrição a uma abordagem multidisciplinar, é possível potencializar os resultados terapêuticos e proporcionar uma melhor qualidade de vida para indivíduos com TEA. Você já considerou o impacto da nutrição no tratamento do autismo em sua família ou prática profissional? Buscar a orientação de um nutricionista especializado pode ser o primeiro passo para transformar vidas.
Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=UBwpn78O1vs



