A seletividade alimentar é um desafio comum, especialmente entre crianças com transtornos do neurodesenvolvimento. Longe de ser apenas uma “frescura”, essa condição pode ter raízes complexas que exigem uma abordagem cuidadosa e, acima de tudo, multidisciplinar. No podcast “Doses de Atipicidade”, Carla de Castro, nutricionista especialista em autismo e TDAH, recebeu Karrie Nunes, fonoaudióloga e CEO da CEFON multiespecialidades, para um bate-papo esclarecedor sobre o tema.
A conversa revelou a importância de ampliar o olhar para a neurodiversidade, compreendendo que o autismo é apenas uma das muitas manifestações de cérebros atípicos. A seletividade alimentar, por sua vez, pode estar ligada a questões sensoriais, motoras e até emocionais, tornando essencial a atuação de diversos profissionais para um tratamento eficaz.
Ampliando o Olhar: Neurodiversidade e Seletividade Alimentar
Karrie Nunes destacou que a neurodiversidade abrange muito mais do que o autismo, incluindo TDAH, altas habilidades e outros transtornos. Um cérebro atípico é aquele que foge do padrão esperado, e a seletividade alimentar pode ser uma das manifestações dessa diferença. É crucial entender que cada criança é única e que as abordagens devem ser individualizadas.
A prevalência de pacientes atípicos nas clínicas é alta, o que demonstra a necessidade de profissionais capacitados para atender essa demanda. A atualização do CDC, com uma prevalência de 1 para 31 para o autismo, reforça a importância da conscientização e da inclusão. A neurodiversidade não se limita ao autismo, e é fundamental considerar outros diagnósticos associados, como transtornos de ansiedade.
A Complexidade da Seletividade Alimentar: Causas e Consequências
A seletividade alimentar não é apenas uma questão de “não querer comer”. Muitas vezes, está ligada a alterações de integração sensorial, dificuldades motoras e até experiências traumáticas com a alimentação. Karrie Nunes enfatizou que a boca da criança deve ser vista como um “templo sagrado”, e que a intervenção deve ser cuidadosa e respeitar os limites da criança.
Ignorar os marcos de desenvolvimento e forçar a criança a comer pode ter consequências graves, como desmaios na escola e aversão à comida. A experiência da fonoaudióloga com um paciente que nasceu com Pierre Robin ilustra a importância de uma abordagem sensível e individualizada. A terapia alimentar não é uma brincadeira, mas sim um processo que exige conhecimento, paciência e respeito.
A Força da Equipe Multidisciplinar: Nutrição, Fonoaudiologia e Mais
Tanto Carla de Castro quanto Karrie Nunes enfatizaram a importância de uma equipe multidisciplinar no tratamento da seletividade alimentar. Nutricionistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros profissionais devem trabalhar em conjunto para oferecer um tratamento completo e eficaz. A Clínica Sallva e a CEFON multiespecialidades são exemplos de espaços que oferecem essa abordagem integrada.
A terapia alimentar não se resume a colorir o arroz e esperar que a criança coma. É um processo que envolve a investigação das causas da seletividade, a adaptação do ambiente, o desenvolvimento de habilidades motoras e sensoriais, e o apoio emocional da criança e da família. A confiança é a base da terapia alimentar, e a criança deve se sentir segura e acolhida para experimentar novos alimentos.
Principais Conclusões
- A seletividade alimentar é um problema complexo que exige uma abordagem multidisciplinar.
- A neurodiversidade abrange muito mais do que o autismo, e é fundamental considerar outros diagnósticos associados.
- A boca da criança deve ser vista como um “templo sagrado”, e a intervenção deve ser cuidadosa e respeitar os limites da criança.
- A terapia alimentar não é uma brincadeira, mas sim um processo que exige conhecimento, paciência e respeito.
- A confiança é a base da terapia alimentar, e a criança deve se sentir segura e acolhida para experimentar novos alimentos.
- O apoio da família é fundamental para o sucesso do tratamento.
Conclusão
A seletividade alimentar pode ser um desafio, mas com a abordagem certa e o apoio de uma equipe multidisciplinar, é possível transformar a relação da criança com a comida e promover um desenvolvimento saudável. Se você está lidando com a seletividade alimentar do seu filho, não hesite em buscar ajuda profissional. Lembre-se: cada criança é única, e o tratamento deve ser individualizado e respeitoso. Qual o próximo passo que você dará para ajudar seu filho a ter uma relação mais saudável com a alimentação?
Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=wcQmYU8Lx2Y



