No universo da neurodiversidade, a jornada da maternidade atípica se revela como um caminho singular, repleto de desafios e aprendizados. Carla de Castro, nutricionista especialista em autismo e TDAH, recebe Tamara Vizioli, neurocientista comportamental e mãe atípica de Miguel, um adolescente de 14 anos, no podcast “Dose de Atipicidade”. Juntas, elas exploram as complexidades da criação de um filho neurodivergente, desde o diagnóstico precoce até os desafios da adolescência e a importância da inclusão.
Tamara Vizioli compartilha sua experiência pessoal, oferecendo insights valiosos para outras mães que trilham um percurso semelhante. A conversa aborda a importância do diagnóstico no tempo certo, a necessidade de apoio familiar e profissional, e a busca por estratégias que promovam a autonomia e o bem-estar do filho. Prepare-se para uma conversa emocionante e inspiradora, que celebra a neurodiversidade e a força da maternidade atípica.
O Diagnóstico Precoce e os Primeiros Desafios
Tamara relata que o diagnóstico de Miguel foi fechado antes de um ano de idade, desmistificando a crença de que o autismo só pode ser identificado mais tarde. Ela enfatiza a importância de um diagnóstico no momento certo, pois permite iniciar as estimulações precocemente, aproveitando a neuroplasticidade do cérebro infantil. A jornada inicial, no entanto, foi marcada por desafios, como a falta de rede de apoio em um país estrangeiro e a comparação com outras crianças.
A ausência de habilidades como o contato visual e o controle esfincteriano geraram ansiedade e questionamentos. Tamara confessa que, em um momento de vulnerabilidade, chegou a se afastar de Miguel, sentindo-se sobrecarregada e incapaz de lidar com a situação. Esse relato honesto e corajoso revela a face oculta da maternidade atípica, marcada por medos, inseguranças e a necessidade de autocuidado.
Adolescência Atípica: Hormônios, Medos e Inclusão
A adolescência de Miguel traz novos desafios, como as questões hormonais, a busca por identidade e o medo da manipulação por terceiros. Tamara expressa sua preocupação com o futuro de Miguel, especialmente em relação à sua autonomia e segurança quando ela e o marido não estiverem mais presentes. Essa angústia a motivou a criar o Instituto Miguel Vizioli, com o objetivo de oferecer suporte e capacitação para pessoas neurodivergentes em todas as fases da vida.
A inclusão é um tema central na vida de Miguel. Tamara destaca que a inclusão vai além de simplesmente convidar a pessoa para o baile; é preciso buscá-la, encantá-la e dançar com ela. Ela critica a falta de preparo de algumas escolas e a necessidade de adaptar o ambiente para atender às necessidades específicas de cada indivíduo. A seletividade alimentar de Miguel também é um desafio constante, exigindo paciência, criatividade e o acompanhamento de profissionais especializados.
AVDs e a Importância da Autonomia
A conversa aborda a importância das Atividades de Vida Diária (AVDs) para a autonomia de pessoas neurodivergentes. Tamara relata que amarrar o cadarço do tênis ainda é um desafio para Miguel, e que ela optou por comprar tênis sem cadarço para facilitar sua vida. Ela enfatiza que nem todas as habilidades serão desenvolvidas, e que é preciso respeitar o ritmo e as limitações de cada indivíduo.
Carla de Castro compartilha um caso de um paciente que melhorou suas AVDs após iniciar um acompanhamento nutricional, demonstrando que a alimentação e a suplementação podem ter um impacto significativo na autonomia e qualidade de vida de pessoas neurodivergentes. A importância de treinar essas habilidades desde a infância, preparando o indivíduo para a vida adulta, é ressaltada.
Diagnóstico Tardio e a Busca por Respostas
Tamara e Carla discutem a importância do diagnóstico tardio em adultos, que muitas vezes buscam respostas para suas dificuldades e comportamentos ao longo da vida. O diagnóstico pode trazer alívio, autoconhecimento e a possibilidade de iniciar um tratamento adequado. No entanto, também pode gerar questionamentos e a necessidade de perdoar a si mesmo e aos outros por incompreensões passadas.
A conversa enfatiza que o diagnóstico não é uma desculpa para comportamentos inadequados, e que a pessoa neurodivergente também tem responsabilidades e deve se esforçar para se adaptar à sociedade. A importância do apoio familiar, profissional e da empatia da sociedade como um todo é fundamental para o bem-estar e a inclusão de pessoas neurodivergentes.
Principais Conclusões
- O diagnóstico precoce do autismo é fundamental para iniciar as estimulações e aproveitar a neuroplasticidade do cérebro infantil.
- A maternidade atípica é um caminho desafiador, marcado por medos, inseguranças e a necessidade de autocuidado.
- A inclusão vai além de simplesmente convidar a pessoa para o baile; é preciso buscá-la, encantá-la e dançar com ela.
- As Atividades de Vida Diária (AVDs) são essenciais para a autonomia de pessoas neurodivergentes, e devem ser treinadas desde a infância.
- O diagnóstico tardio em adultos pode trazer alívio, autoconhecimento e a possibilidade de iniciar um tratamento adequado.
- A empatia, o respeito e o apoio da sociedade são fundamentais para o bem-estar e a inclusão de pessoas neurodivergentes.
Conclusão
A jornada da maternidade atípica é um percurso de amor, desafios e aprendizados constantes. A história de Tamara Vizioli nos inspira a celebrar a neurodiversidade, a buscar o conhecimento e o apoio necessários, e a lutar por uma sociedade mais inclusiva e acolhedora. Qual o próximo passo que você pode dar hoje para promover o bem-estar e a autonomia de uma pessoa neurodivergente em sua vida?
Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ShDpOKxPpII



