No universo da neurodiversidade, a representatividade é fundamental para promover a autoaceitação e o protagonismo, especialmente entre crianças e adultos autistas. O podcast Dose de Atipicidade, apresentado por Carla de Castro, nutricionista especialista em autismo e TDAH, tem se destacado por trazer à tona discussões relevantes sobre o tema.
Nesta edição, Carla de Castro recebeu Aline Campos, escritora infantil, autista, mãe atípica e servidora pública, para uma conversa inspiradora sobre a importância da literatura inclusiva e do diagnóstico tardio no autismo. Aline compartilhou sua jornada pessoal e profissional, revelando como a escrita se tornou uma ferramenta poderosa para a cura e a conscientização.
O Diagnóstico Tardio e a Busca pela Autoaceitação
Aline Campos recebeu o diagnóstico de autismo aos 43 anos, após o diagnóstico de seu filho. Essa descoberta tardia foi crucial para que ela pudesse entender suas diferenças e se libertar de máscaras que usava para se encaixar em padrões sociais. O diagnóstico, embora muitas vezes invalidado por outros, trouxe clareza e permitiu que Aline se reconectasse com sua essência.
O diagnóstico tardio no adulto é um tema pouco abordado, especialmente quando se trata de adultos funcionais, com suporte nível 1. Muitas vezes, esses indivíduos têm seus diagnósticos questionados e suas dificuldades minimizadas. Aline ressalta a importância de buscar o autoconhecimento e de não se deixar abater pelos julgamentos alheios.
A Importância da Investigação e do Autoconhecimento
Carla de Castro enfatiza a importância da investigação e da busca por um diagnóstico preciso, mesmo na vida adulta. A avaliação neuropsicológica pode trazer clareza sobre comportamentos e dificuldades que antes não faziam sentido. A terapia e, se necessário, a medicação adequada, podem melhorar significativamente a qualidade de vida.
A Literatura Inclusiva como Ferramenta de Transformação
Aline Campos encontrou na escrita uma forma de expressar suas experiências e de promover a inclusão. Seus livros infantis abordam temas como autismo, bullying e segurança no trânsito, sempre com personagens reais e representativos. A literatura inclusiva tem o poder de transformar olhares e de promover a autoaceitação.
Um dos livros de Aline, “Sou diferente e daí? Tem lugar aí pra mim?”, aborda o tema do bullying e representa o “grito que eu não pude dar da Aline criança lá atrás”. A obra foi aprovada pelo Ministério da Educação e está disponível na plataforma virtual do MEC para download gratuito.
Projetos e Obras de Aline Campos
- “João no Trânsito”: Livro sobre autismo e segurança no trânsito, distribuído gratuitamente pelo Detran.
- “Sou diferente e daí? Tem lugar aí pra mim?”: Livro sobre bullying, aprovado pelo MEC e disponível para download gratuito.
- “Inclusão, palavra que toca o coração”: Livro sobre inclusão, disponível gratuitamente em shoppings.
- “Inclusão Dentro e Fora do Avião”: Cartilha sobre autismo e viagens aéreas, distribuída em aeroportos com salas multissensoriais.
Desafios e Potencialidades da Maternidade Atípica
Aline Campos compartilha os desafios e as alegrias de ser uma mãe atípica. Ela e seu filho, João Vítor, ambos com TDAH, enfrentam dificuldades com funções executivas, como planejamento e organização. No entanto, Aline busca ferramentas e conhecimentos para auxiliar o filho e para lidar com suas próprias limitações.
A maternidade atípica exige um olhar generoso para si mesma e para o filho. É importante reconhecer as próprias limitações e buscar ajuda quando necessário. Estimular as potencialidades do filho e promover a autoestima são fundamentais para o seu desenvolvimento.
Principais Conclusões
- O diagnóstico tardio no autismo pode trazer clareza e libertação para adultos que sempre se sentiram diferentes.
- A representatividade na literatura é fundamental para promover a autoaceitação e o protagonismo entre crianças e adultos autistas.
- A maternidade atípica exige um olhar generoso para si mesma e para o filho, reconhecendo as próprias limitações e buscando ajuda quando necessário.
- Estimular as potencialidades do filho e promover a autoestima são fundamentais para o seu desenvolvimento.
- A conscientização sobre o autismo e o TDAH é essencial para transformar olhares e promover a inclusão na sociedade.
Conclusão
A conversa entre Carla de Castro e Aline Campos no Dose de Atipicidade nos mostra a importância da representatividade, do autoconhecimento e da busca por uma sociedade mais inclusiva. Que possamos transformar olhares e construir um mundo onde todos se sintam acolhidos e valorizados por suas diferenças. Qual o seu papel nessa transformação?
Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=7BP49A-2a_s



