O podcast Dose de Atipicidade, apresentado por Carla de Castro, nutricionista especialista em Autismo e TDAH, oferece um espaço valioso para informações de qualidade sobre neurodiversidade. Em um episódio especial, Carla recebe Raiane Dantas, nutricionista infantil com vasta experiência em Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH e T21, para discutir um dos maiores desafios enfrentados por famílias atípicas: a seletividade alimentar.

A seletividade alimentar não é apenas uma questão de “criança chata para comer”, mas um sintoma complexo que pode impactar significativamente a saúde e o desenvolvimento infantil. Este artigo explora a importância da terapia alimentar, a necessidade de uma abordagem integrativa e oferece estratégias práticas para ajudar crianças autistas a expandir seu repertório alimentar. Prepare-se para desmistificar a seletividade e descobrir como transformar a hora da refeição em um momento mais tranquilo e nutritivo.

A Importância da Terapia Alimentar no Contexto do Autismo

Raiane Dantas destaca que até 90% das pessoas com TEA apresentam algum tipo de dificuldade alimentar. A seletividade alimentar, embora não seja um diagnóstico em si, é um quadro comum que exige atenção. É crucial diferenciar seletividade de dificuldade alimentar, sendo a última uma versão mais severa da restrição alimentar.

A terapia alimentar surge como um complemento essencial ao atendimento clínico, abordando as implicações orgânicas, fisiológicas, sensoriais e comportamentais que contribuem para a recusa alimentar. É fundamental compreender que a terapia alimentar não se limita a mudar o comportamento da criança, mas envolve um tratamento integrativo que considera todas as suas necessidades.

Abordagem Integrativa: Nutrição e Equipe Multidisciplinar

Carla de Castro enfatiza que a nutrição não faz milagres e que o sucesso no tratamento da seletividade alimentar depende de uma equipe multidisciplinar. A colaboração entre nutricionistas, terapeutas ocupacionais (TOs), fonoaudiólogos, psicólogos, neuropediatras e outros profissionais é essencial para abordar as múltiplas facetas do problema.

A nutricionista desempenha um papel crucial na correção de deficiências nutricionais, modulação intestinal e investigação de alergias alimentares. A TO, por sua vez, trabalha as questões sensoriais, enquanto o fonoaudiólogo auxilia em dificuldades de mastigação e deglutição. A psicóloga aborda questões emocionais e comportamentais que podem estar relacionadas à recusa alimentar.

Estratégias Práticas para Lidar com a Seletividade Alimentar

Raiane Dantas explica que a terapia alimentar visa ressignificar a alimentação para a criança, promovendo segurança e confiança no momento de comer. A aproximação gradual dos alimentos é feita através de estímulos sensoriais, receitas, educação nutricional e muito afeto.

Uma estratégia comum é o “esticamento de alimento” (food chaining), que consiste em identificar os alimentos que a criança já aceita e, a partir deles, introduzir alimentos semelhantes em termos de sabor, textura ou cor. É importante lembrar que cada criança é única e que o processo terapêutico é lento e gradual, exigindo paciência e apoio da família.

O Papel da Família no Processo Terapêutico

A participação ativa da família é fundamental para o sucesso da terapia alimentar. Os pais devem estar engajados no processo, oferecendo suporte e estímulo em casa. É importante criar um ambiente seguro e acolhedor para a criança, evitando pressões e cobranças excessivas.

A nutricionista pode orientar a família sobre como dar ordem à criança, estabelecer rotinas alimentares e criar um ambiente favorável à alimentação. A casa deve ser segura, com alimentos saudáveis e adequados à disposição da criança.

Principais Conclusões

  • A seletividade alimentar é comum em crianças autistas, mas não é exclusiva do TEA.
  • A terapia alimentar é um complemento essencial ao atendimento clínico, abordando as múltiplas causas da recusa alimentar.
  • Uma abordagem integrativa, com a colaboração de diversos profissionais, é fundamental para o sucesso do tratamento.
  • A participação ativa da família é crucial para o engajamento da criança e a generalização dos resultados da terapia.
  • O “esticamento de alimento” (food chaining) é uma estratégia eficaz para expandir o repertório alimentar da criança.
  • Cada criança é única e o processo terapêutico é lento e gradual, exigindo paciência e apoio.

Conclusão

Lidar com a seletividade alimentar em crianças autistas pode ser um desafio, mas com a informação correta, o apoio de profissionais qualificados e o engajamento da família, é possível transformar a hora da refeição em um momento mais prazeroso e nutritivo. Não hesite em buscar ajuda e lembre-se de que cada pequeno passo é uma vitória. Qual será o próximo alimento que você e seu filho(a) irão explorar juntos?

Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=mxCTd4Tbo9U

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Olá, meu nome é
Carla de Castro

Sou nutricionista especializada em Saúde Mental e Transtornos do Neurodesenvolvimento, e dedico minha trajetória a transformar o cuidado com famílias atípicas. Sou pioneira no Brasil na abordagem nutricional voltada ao autismo e criei o podcast Doses de Atipicidade para ampliar esse diálogo com empatia e ciência. À frente da Clínica Sallva, acolho cada história com escuta ativa e desenvolvo estratégias nutricionais personalizadas que promovem equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.