Fisioterapia e Autismo Adulto: Uma Visão Materna e Profissional

No universo da neurodiversidade, o autismo em adultos muitas vezes permanece um território pouco explorado, especialmente no que tange às abordagens terapêuticas. O podcast Dose de Atipicidade, apresentado por Carla de Castro, nutricionista especialista em autismo e TDAH, mergulhou nesse tema crucial com a participação de Ronara Mangaravite, fisioterapeuta especialista em psicomotricidade e mãe atípica. A conversa revelou a importância da fisioterapia no contexto do autismo adulto, desmistificando conceitos e oferecendo uma perspectiva humanizada e profissional.

Ronara Mangaravite compartilhou sua jornada pessoal e profissional, destacando como a maternidade atípica a impulsionou a buscar especialização em psicomotricidade no autismo. Sua experiência como mãe de uma criança autista a sensibilizou para as necessidades específicas desses indivíduos, especialmente no que se refere ao mascaramento social e às dificuldades sensoriais. A fisioterapia, nesse contexto, transcende a reabilitação física, tornando-se uma ferramenta de inclusão e bem-estar.

A Importância da Psicomotricidade no Autismo Adulto

A psicomotricidade, como explicou Ronara, é a ciência que estuda o movimento em sua relação com o cognitivo, as habilidades sociais e o comportamento. No autismo adulto, essa abordagem se torna ainda mais relevante, uma vez que muitos indivíduos passaram a vida inteira mascarando suas dificuldades e necessidades. A fisioterapia, nesse sentido, atua como um meio de desconstruir essas máscaras e promover a aceitação e o autoconhecimento.

Ronara enfatizou que o tratamento fisioterapêutico em adultos autistas exige uma sensibilidade aguçada e um olhar atento para as particularidades de cada indivíduo. As questões sensoriais, por exemplo, podem impactar significativamente a experiência do paciente, tornando essencial a criação de um ambiente acolhedor e adaptado às suas necessidades. A comunicação aberta e a confiança entre terapeuta e paciente são fundamentais para o sucesso do tratamento.

O Desafio do Diagnóstico Tardio e o Impacto do Masking

Um dos principais desafios no tratamento do autismo adulto é o diagnóstico tardio. Muitas pessoas passam anos sem saber que são autistas, o que pode gerar sofrimento e dificuldades em diversas áreas da vida. O mascaramento social, ou seja, a tentativa de imitar comportamentos considerados “normais”, é uma estratégia comum utilizada por indivíduos autistas para se adaptarem ao ambiente social.

No entanto, o masking pode ter um custo emocional elevado, levando a quadros de ansiedade, depressão e burnout. A fisioterapia, nesse contexto, pode auxiliar o paciente a reconhecer e aceitar suas características autistas, promovendo o autocuidado e a qualidade de vida. Ronara destacou a importância de criar um espaço seguro onde o paciente se sinta à vontade para expressar suas dificuldades e necessidades, sem medo de julgamento.

A Necessidade de uma Abordagem Multidisciplinar

Ronara Mangaravite ressaltou a importância de uma abordagem multidisciplinar no tratamento do autismo adulto. A fisioterapia, nesse sentido, deve ser integrada a outras terapias, como a psicologia, a terapia ocupacional e a nutrição. A colaboração entre os diferentes profissionais é fundamental para garantir um tratamento completo e individualizado.

A nutricionista Carla de Castro complementou a discussão, destacando a importância da nutrição no autismo, especialmente no que se refere à seletividade alimentar e às alergias alimentares. A fisioterapia e a nutrição, segundo Carla, são áreas que ainda precisam ganhar mais espaço no tratamento do autismo, tanto infantil quanto adulto.

Principais Conclusões

  • A fisioterapia desempenha um papel crucial no tratamento do autismo adulto, promovendo a inclusão, o bem-estar e a qualidade de vida.
  • A psicomotricidade, como ciência que estuda o movimento em sua relação com o cognitivo e o social, oferece uma abordagem terapêutica completa e individualizada.
  • O mascaramento social é um desafio comum no autismo adulto, exigindo uma sensibilidade aguçada por parte dos profissionais de saúde.
  • A abordagem multidisciplinar é fundamental para garantir um tratamento completo e eficaz, integrando a fisioterapia a outras terapias.
  • A experiência de Ronara Mangaravite como mãe atípica a sensibilizou para as necessidades específicas dos indivíduos autistas, tornando seu trabalho ainda mais valioso.
  • A nutrição e a fisioterapia são áreas que precisam ganhar mais espaço no tratamento do autismo, tanto infantil quanto adulto.

Conclusão

A conversa entre Carla de Castro e Ronara Mangaravite no podcast Dose de Atipicidade iluminou a importância da fisioterapia no autismo adulto, revelando um universo de possibilidades terapêuticas e de inclusão. A experiência de Ronara como mãe atípica e profissional da área demonstra que o olhar humanizado e a sensibilidade são essenciais para o sucesso do tratamento. Se você é um adulto autista ou conhece alguém que seja, busque profissionais especializados e não hesite em explorar os benefícios da fisioterapia. Que tal começar a pesquisar sobre profissionais da área em sua região?

Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ml9ZsCEUVf0

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Olá, meu nome é
Carla de Castro

Sou nutricionista especializada em Saúde Mental e Transtornos do Neurodesenvolvimento, e dedico minha trajetória a transformar o cuidado com famílias atípicas. Sou pioneira no Brasil na abordagem nutricional voltada ao autismo e criei o podcast Doses de Atipicidade para ampliar esse diálogo com empatia e ciência. À frente da Clínica Sallva, acolho cada história com escuta ativa e desenvolvo estratégias nutricionais personalizadas que promovem equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.