No universo da neurodiversidade, o autismo adulto muitas vezes permanece um território inexplorado, com desafios únicos e necessidades específicas. O podcast “Doses de Atipicidade,” apresentado por Carla de Castro, nutricionista especialista em Autismo e TDAH, mergulha nesse tema crucial, trazendo à tona a importância da fisioterapia e da psicomotricidade no bem-estar de adultos autistas. Neste episódio, a convidada Ronara Mangavite, fisioterapeuta especialista em psicomotricidade e mãe atípica, compartilha sua expertise e sensibilidade, oferecendo insights valiosos sobre como a fisioterapia pode ir além da reabilitação física, promovendo a inclusão e a qualidade de vida.

A conversa revela a carência de profissionais especializados e a necessidade de uma abordagem mais holística e humanizada no tratamento do autismo adulto. Ronara, com sua experiência pessoal e profissional, ilumina o caminho para uma compreensão mais profunda das necessidades sensoriais e emocionais dos indivíduos autistas, destacando a importância de um tratamento individualizado e respeitoso.

A Jornada da Fisioterapia no Autismo: Da Necessidade Pessoal à Prática Profissional

Ronara Mangavite, fisioterapeuta há 24 anos e mãe atípica há 8, relata como a necessidade de atender às demandas específicas de seu filho Miguel a impulsionou a buscar especialização em psicomotricidade no autismo. Surpreendentemente, descobriu a carência de pós-graduações voltadas para fisioterapia nessa área, o que a motivou ainda mais a se aprofundar no tema. A princípio, o objetivo era tratar o próprio filho, mas logo percebeu a dificuldade de separar o lado emocional do profissional.

A experiência como mãe atípica, no entanto, aguçou sua sensibilidade e aprimorou sua abordagem no consultório. O que antes era focado na reabilitação física, passou a envolver aspectos cognitivos, sociais e emocionais, transformando a fisioterapia em uma ferramenta de reabilitação social e inclusão. A paixão pela atipicidade e a busca por resultados tangíveis são características marcantes dos profissionais que atuam nessa área, criando uma comunidade unida e engajada.

Masking e a Sensibilidade Aprimorada da Fisioterapia

Um dos temas centrais da conversa é o masking, uma característica comum do autismo adulto, especialmente em mulheres. O masking se refere à camuflagem social, a capacidade de mimetizar comportamentos para se adequar às expectativas sociais. Ronara explica como essa camuflagem pode dificultar o diagnóstico e o tratamento, já que os indivíduos mascaram seus desconfortos e necessidades.

A sensibilidade da mãe atípica, nesse contexto, se torna crucial. Ronara consegue perceber sutilezas e desconfortos que passariam despercebidos por outros profissionais. Ela descreve como o tratamento vai além da correção de disfunções físicas, buscando a causa raiz dos problemas, muitas vezes ligada a questões emocionais e sensoriais. A psicomotricidade, nesse sentido, se torna uma ferramenta poderosa, pois estuda o movimento em relação ao cognitivo, às habilidades sociais e aos comportamentos.

A Importância da Multidisciplinaridade e do Acolhimento

Ronara enfatiza a importância de uma equipe multidisciplinar para o tratamento do autismo adulto. Ela destaca a necessidade de integrar a fisioterapia com outras terapias, como a psicologia e a nutrição, para um cuidado completo e individualizado. A falta de profissionais especializados e a dificuldade de acesso a tratamentos adequados são desafios a serem superados.

O acolhimento é outro ponto fundamental. Ronara busca criar um ambiente seguro e acolhedor em suas sessões, onde os pacientes se sintam à vontade para expressar seus desconfortos e necessidades. Ela compartilha sua experiência como mãe de um filho autista, o que a permite estabelecer uma conexão mais profunda com seus pacientes e oferecer um tratamento mais eficaz.

Intestino e Cérebro: Uma Conexão Essencial

A conversa também aborda a importância da saúde intestinal no autismo. Carla de Castro, nutricionista, ressalta que crianças e adultos autistas têm maior probabilidade de apresentar alterações gastrointestinais. Essas alterações podem afetar o comportamento, o humor e a qualidade de vida. Ronara complementa, explicando como a manipulação visceral pode aliviar desconfortos abdominais e melhorar a função intestinal, impactando positivamente a saúde geral do indivíduo.

A conexão entre intestino e cérebro é um tema recorrente na área da neurodiversidade. A saúde intestinal influencia a produção de neurotransmissores e a função cerebral, o que torna o tratamento das alterações gastrointestinais fundamental para o bem-estar de pessoas autistas.

Principais Conclusões

  • A fisioterapia no autismo adulto vai além da reabilitação física, promovendo a inclusão e a qualidade de vida.
  • O masking dificulta o diagnóstico e o tratamento, exigindo uma abordagem mais sensível e individualizada.
  • A multidisciplinaridade é fundamental para um cuidado completo e eficaz.
  • O acolhimento e a empatia são essenciais para criar um ambiente seguro e de confiança.
  • A saúde intestinal desempenha um papel crucial no bem-estar de pessoas autistas.
  • Buscar profissionais especializados e valorizar seus conhecimentos é essencial para um tratamento de qualidade.

Conclusão

A fisioterapia no autismo adulto é um campo em expansão, com um potencial enorme para melhorar a vida de indivíduos autistas. A sensibilidade, a expertise e o compromisso de profissionais como Ronara Mangavite são fundamentais para construir um futuro mais inclusivo e acolhedor para a neurodiversidade. Que este diálogo inspire mais profissionais a se especializarem nessa área e que a sociedade como um todo se torne mais consciente e respeitosa com as necessidades das pessoas autistas. Qual o próximo passo para promovermos um tratamento mais humanizado e eficaz para o autismo adulto?

Este artigo é baseado no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ml9ZsCEUVf0

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Olá, meu nome é
Carla de Castro

Sou nutricionista especializada em Saúde Mental e Transtornos do Neurodesenvolvimento, e dedico minha trajetória a transformar o cuidado com famílias atípicas. Sou pioneira no Brasil na abordagem nutricional voltada ao autismo e criei o podcast Doses de Atipicidade para ampliar esse diálogo com empatia e ciência. À frente da Clínica Sallva, acolho cada história com escuta ativa e desenvolvo estratégias nutricionais personalizadas que promovem equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.