Bem-vindos ao podcast Doses de Atipicidade, um espaço dedicado à informação de qualidade sobre autismo e neurodiversidade. Carla de Castro, nutricionista e apresentadora, recebe Fani Freire, especialista em neuroarquitetura, para discutir um tema urgente: a importância da adaptação de ambientes públicos para pessoas neurodivergentes. Com um número crescente de diagnósticos de autismo e outras neurodivergências, a necessidade de espaços inclusivos nunca foi tão premente.
O objetivo deste episódio é dar luz a essa crescente demanda, explorando como shoppings, supermercados, escolas e outros locais podem se tornar mais acolhedores para pessoas com autismo, TDAH e outras condições. Fani Freire compartilha sua experiência como mãe atípica e especialista, oferecendo insights valiosos sobre como criar ambientes que respeitem o sistema nervoso humano e promovam segurança, previsibilidade e pertencimento.
Acessibilidade Sensorial: Uma Necessidade Invisível
Quando pensamos em acessibilidade, muitas vezes nos limitamos a elevadores e rampas. No entanto, existe uma acessibilidade invisível, igualmente importante: a acessibilidade sensorial. Fani Freire nos convida a refletir sobre como a luz forte, o barulho intenso e a confusão visual podem ser mais do que um simples desconforto para muitas pessoas – podem ser uma dor real.
A acomodação sensorial consiste em adaptar ambientes para que mais pessoas consigam estar, permanecer e viver com dignidade nesses espaços. O design neuroinclusivo parte do princípio de que os espaços não são neutros; eles se comunicam, acolhem, regulam e podem até afastar. Após o diagnóstico de seu filho, Otávio, Fani percebeu a necessidade de espaços de acolhimento sensorial e buscou conhecimento na neuroarquitetura e em especializações sobre TEA, TDAH e inclusão.
Desmistificando a Inclusão: Além das Salas Sensoriais
Embora as salas sensoriais sejam importantes, a inclusão não se limita a elas. É crucial que os espaços sejam projetados com consciência sensorial, considerando as necessidades de pessoas hipersensíveis e hipossensíveis. A inclusão, como bem pontua Fani, não é uma tendência, mas sim uma responsabilidade social.
Muitas vezes, a exclusão ocorre de forma silenciosa, através de luzes, ruídos e excessos. A observação prática, aliada aos estudos sobre processamento sensorial, mostra que muitos comportamentos são referentes à adaptação de ambientes desreguladores, e não falhas individuais. O objetivo é projetar espaços que reduzam a sobrecarga sensorial e promovam segurança e pertencimento.
Estratégias Simples para Ambientes Mais Acolhedores
- Horários diferenciados: Shoppings e supermercados podem oferecer horários com menos estímulos sensoriais, como iluminação mais suave e menos barulho.
- Sinalização clara: Menos informações visuais e sinalizações claras facilitam a orientação e reduzem a sobrecarga.
- Conscientização: Informar e treinar funcionários para lidar com pessoas neurodivergentes.
O Impacto nos Espaços Públicos e a Pressão dos Diagnósticos
Os crescentes diagnósticos de autismo e outras neurodivergências estão pressionando os espaços públicos, os profissionais e o poder público a agirem. Escolas, shoppings, supermercados, academias e cinemas precisam se adaptar para atender às necessidades dessa população. A pergunta que surge é: quem está cuidando disso?
Fani Freire, com sua expertise em neuroarquitetura, está na linha de frente dessa transformação. No entanto, é fundamental que empresários, profissionais e o poder público se unam para criar ambientes verdadeiramente inclusivos. A adaptação dos espaços não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas também uma oportunidade de oferecer uma melhor experiência para todos os clientes e usuários.
Principais Conclusões
- A acessibilidade sensorial é tão importante quanto a acessibilidade física.
- A inclusão não se limita a salas sensoriais; envolve a criação de ambientes que respeitem o sistema nervoso humano.
- A adaptação de espaços públicos é uma responsabilidade social e uma oportunidade de oferecer uma melhor experiência para todos.
- É fundamental considerar as necessidades de pessoas hipersensíveis e hipossensíveis ao projetar ambientes inclusivos.
- A colaboração entre profissionais, famílias e o poder público é essencial para criar espaços verdadeiramente acolhedores.
- A neuroinclusão não é uma tendência, mas sim uma responsabilidade social.
Conclusão
A adaptação de ambientes para pessoas neurodivergentes é um passo crucial para a construção de uma sociedade mais inclusiva e acolhedora. Ao compreendermos as necessidades sensoriais e promovermos espaços que respeitem a diversidade, estamos criando um mundo onde todos possam se sentir seguros, pertencentes e valorizados. Que tal começarmos a repensar os espaços ao nosso redor e a transformá-los em lugares onde todos possam prosperar?



